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Mãe recorre a internautas para espalhar cinzas do filho por 100 países diferentes
Em novembro de 2013, a americana Hallie Twomey iniciou uma campanha nas redes sociais em que pedia a pessoas do mundo inteiro que espalhassem as cinzas de seu filho. Um ano depois, os restos mortais de CJ foram levados a mais de 100 países e até mesmo ao espaço.
A iniciativa foi viabilizada por meio de uma página no Facebook criada por Hallie, a Scattering CJ. Nela, multiplicam-se fotos do jovem, um menino sorridente, invariavelmente com uma camiseta do seu time de beisebol americano, o Boston Red Sox.
Natural do Estado americano do Maine, Christopher John Twomey, mais conhecido como CJ, tinha 20 anos quando tirou a própria vida, em abril de 2010. Amante de viagens e aventuras, o jovem era um ex-militar da Força Aérea Americana.

Em novembro do ano passado, enquanto observava a urna com as cinzas do filho em cima da lareira de casa, Hallie decidiu que queria dar um novo destino aos restos mortais de CJ.

“Um dia me ocorreu que as cinzas de CJ permaneceriam naquela urna para sempre”, afirmou Hallie. “Meu filho amava viajar, mas não conseguiu ir a todos os lugares que gostaria. Queria dar a ele uma última chance de concretizar esse sonho”.

Cinzas de CJ Twomey foram espalhadas em Machu Picchu, no Peru…
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Em plantação de chá em Tamil Nadu, na Índia…
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Em Swakopmund, na Namíbia…
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E por paraquedistas durante queda livre no Arizona
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Facebook
Depois de discutir o assunto com o marido, John, Hallie criou uma página no Facebook perguntando se alguém se disporia a espalhar uma pequena quantidade de cinzas de CJ no lugar de sua escolha.
No começo, os voluntários demoraram a aparecer – Hallie e sua família esperavam receber resposta de algumas centenas de pessoas, apenas.
Mas um ano depois, mais de 9 mil pessoas se ofereceram a espalhar parte das cinzas de CJ durante suas viagens – e Hallie viu-se obrigada a ser mais criteriosa.
Ela escolhe pessoas que vão a destinos únicos ou aonde as cinzas de CJ ainda não chegaram. “Gostaria que todas as pessoas que nos contatam pudessem participar dessa iniciativa, mas tenho uma quantidade finita de cinzas”, afirma Hallie.
Quando alguém faz contato e a oferta é aceita, Hallie coloca uma pequena quantidade de cinzas de CJ em uma sacola junto de uma carta e de uma foto do filho. Nela, ele aparece com a camiseta do Boston Red Sox.
“Peço a essas pessoas que mostrem o quanto amamos CJ”, diz Hallie. “Peço também que se desculpem com ele por mim. Ainda tenho essa sensação. Acho que decepcionei meu filho”.
Quem se dispõe a espalhar as cinzas do jovem também deve enviar uma foto e algumas palavras sobre a localidade escolhida. Como resultado, a página criada por Hallie no Facebook reúne fotografias de todo o mundo – marcos famosos, montanhas nevadas e ilhas tropicais.
Muitas das fotos incluem a sacola dentro da qual as cinzas são transportadas e uma foto de CJ – muitas retratam uma pequena quantidade das cinzas na mão de alguém, prontas para serem espalhadas.
A página também exibe uma extensa lista de destinos onde as cinzas de CJ foram dispersadas – do Alabama ao Afeganistão, do Camboja a Cabo Verde.
Apesar de a grande quantidade de pacotes com cinzas de CJ terem sido enviadas a destinos variados, houve relativamente poucos problemas envolvendo quem se voluntaria a espalhar os restos mortais do jovem.
No entanto, alguns poucos envelopes chegaram a seus destinatários danificados – e outros sem as cinzas. “É até difícil ouvir isso, mas nós decidimos acreditar que independente do lugar onde as cinzas de CJ foram parar, é porque era para ser assim”, afirma Hallie.
Ocasionalmente, algumas das cinzas de CJ foram devolvidas – talvez por pessoas que mudaram de ideia ou roteiros de viagem alterados de última hora.
Hallie diz que se sente mal quando recebe os pacotes de volta. “Não sei por que isso me entristece quando, no fundo, sei que é uma escolha de cada um”, escreveu Hallie no Facebook.

Voluntários também espalharam cinzas do jovem americano na Capadócia (Turquia)…
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Na montanha mais alta da Alemanha (Zugspitze)…
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Em uma praia no sul da Austrália…
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Na dea ilh Hainan, na China…
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E até debaixo d’água na República Dominicana
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Cristo Redentor
As pessoas que se oferecem a espalhar as cinzas de CJ têm idades, nacionalidades e classes socioeconômicas diferentes. Alguns deles foram afetados pelo suicídio de um ente querido ou até mesmo contemplaram tirar a própria vida.
“Por causa de CJ e de sua biografia, algumas pessoas nos disseram que não querem mais cometer suicídio”, afirmou Hallie. “Nós nunca, em nenhum momento, imaginamos que a história de nosso filho poderia inspirar – e salvar – outras pessoas”.
Embora as cinzas de CJ tenham sido espalhadas pelos sete continentes, incluindo a Antártica, há alguns destinos que os restos mortais do jovem ainda não chegaram – a estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, as ilhas Galápagos, a Grande Pirâmide de Gizé no Egito e o carvalho milenar Angel Oak Tree, no Estado da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, são alguns deles.

Cinzas também foram levadas ao espaço
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A jornada de CJ tampouco esteve confinada à Terra – suas cinzas foram levadas para o espaço por um foguete lançado do deserto do Novo México em outubro deste ano. “Essa experiência permitiu ao nosso filho alcançar lugares que nunca poderíamos imaginar”, afirmou Hallie.
A família conta que não pretende espalhar todas as cinzas de CJ agora – uma pequena quantidade permanecerá na casa e outra já foi transformada em joias, que Hallie costuma usar diariamente.
Desde que a iniciativa foi posta em prática, cerca de dois terços do volume da urna já foram compartilhados com pessoas de todo o mundo.
O objetivo é espalhar o restante no início de 2015, mas não há prazo para isso, diz Hallie. “Tenho certeza de que saberei quando for a hora para acabar”.
Hallie diz não saber como se sentirá quando o projeto chegar ao fim. A única certeza, no entanto, confessa, é de que “vai chorar”. “Enviar as cinzas de seu filho a todos esses lugares nunca vai parecer certo porque é totalmente errado ele ter nos deixado tão cedo”, afirmou ela, mas feliz com a iniciativa.
“Como sua mãe, o meu maior medo é que CJ seja esquecido”, diz. E com mais de 18 mil pessoas seguindo a página criada por ela no Facebook e propostas chegando a cada dia para espalhar as cinzas do jovem, Hallie espera que a iniciativa mantenha para sempre viva a memória de seu filho.

Para Hallie, não há ‘prazo’ para fim do projeto; ela diz esperar que memória do filho seja sempre mantida
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